brigada rere
brigada rere
Oscila. Desliza. Livre pena colorida.
Livre obstáculo. Sábio sabiá.
E os olhos que muito viram, fecham-se.
E as vozes mudas, cantam.
Os paralizados, dançam e rodopiam.
E o cego, vê.
Canta sabiá.
A luz apagada da Lua. A cor absorta, desbotada feito jeans.
O rímel congelado. A sombra branca do satélite natural incidindo na face.
Suspiro brando.
Memórias à tona. Mas a maioria delas, morreu com o passar dos segundos.
Hálito azul, sorriso invisível, porque estes encontram-se inibidos pela beleza desse astro arrastado pela formosa condição da gravitação.
O tudo e o nada se completam sem se completarem. O Sol não completa a Lua? Embora eles nunca se encontrem. Se as condições extremas fazem o impossível, em pleno dilúvio, são propícias ao pródigo desenvolvimento: o êxito e a felicidade sem ser presencial.
O corpo não está, necessariamente, onde está o pensamento. O pensamento não está, por sua vez, onde encontra-se o íntegro. E, raramente, a integridade está onde se encontra o procurado.
Não. Que nada.
O besouro não queria a folha bem à sua frente. Ele almejava aquela lá em cima da árvore.
Não tinha asas, quis voar.
Quis voar, não tinha asas.
A folha na sua frente, voou com o vento.
E a de cima da árvore, os vermes comeram.
…a palavra qual seria vazia sem um significado e o significado que indescritível seria sem a palavra, a palavra não possuía um significado, contudo o significado existia dentro daquele sorriso e dentro do encantador movimentar do seu coração estremecendo e correndo para a direção dos pensamentos…
Quadro morto. Vaso morto, flor viva. Vaso gelado, como sorvete de chocolate. O caramelo em cima do sorvete, o fim meio derretido com gosto de quero mais, não sei se sigo a minha gula ou se prezo ao bom senso. Adeus bom senso, vou lá comer mais. Leio e durmo. Nasci poética, assim viverei. Vivi poeticamente, assim morrerei. E assim serei. Como a mente que não para de inventar o estranho e o surreal. São os mantimentos de uma dispensa, são as nuvens que regam o solo, são as sinapses incontestáveis do necessário, são os versos dos meus segundos. Assim o é. Manga com leite, beterraba com alface, quanto mais estranho, mais vedado ao sucesso. Porque não há uma fórmula para o agradável, se a ideia é boa, o agradável é meramente uma consequência. O nada e o tudo. Tudo torto, nada reto. Assim o é. Chocolate com morango, chuva depois do calor. Tudo é morto, exceto nós mesmos, de nada serviria esse morto, se não fosse a vivacidade dos sentimentos. Gelada é a vida vivida defuntamente sem a essência do sentir.
Aspas indicam a citação da realidade.
Pontos, uma pausa para os sonhos.
Parágrafos, o recomeço oportuno. Vírgulas, isolam o que é obrigatório não esquecer.
Dois pontos, os ítens mais importantes da sua vida.
Enquanto que os parênteses, são as exceções sem um porquê.
Pequenas atitudes bem programadas e minuciosamente calculadas são notáveis de merecidos destaques. Meus bronquíolos inalam excessivo calor ao notar a decepção que causo nas pessoas; afastando-as. Embora a vida critique-me, esses campos munidos de beleza e esse céu azul ciano fragmentado ainda acolhem-me sem maiores julgamentos e penitências. Os pássaros cantam jubilosamente.
Como invejo os caninos. Cachorros. Tão absortos em seus sonos preguiçosos e abrandados por uma brisa quente que esvoaça livres fios de cabelo. É tão injusto eles poderem deitar no asfalto e nas calçadas entregando-se ao calor de corpo e alma, quando nós, humanos, somos escravos da etiqueta social.
As horas da noite são anunciadas pelo apito em meu relógio. O passar dela, é denunciado pelas diferentes frações de cores no céu. Com os pensamentos nadantes, intrigo-me. Intrigo, logo existo. Desencadeio sem muito esforço o retrato da minha psiquiatria. O vento rugindo e fazendo sambar as árvores no escuro da noite exterior e o frio que aparentava por lá estar, eram separados por um calor e uma proteção de meu abrigo. E como se fossemos tão diferentes dos mais simples resquícios da natureza! Evidenciei incontáveis semelhanças. O calor e a proteção separada por blocos de tijolos e cimento eram a minha própria alma, protegida dos eventuais invasores cataclismáticos, blocos colocados um por um, com uma janela para que eu apenas observe, mas não interaja. Pessoas são tão frias quanto o vento gélido lá fora. Tão medonhas quanto o escuro. Aprendi, portanto, a necessidade de uma moradia, um abrigo. Só meu. Sem invasores. Antes, eu estava lá fora, balançando absorta ao caos como a árvore. Sem saber. Sem conhecer. Após muitas apitadas do relógio, uma estrela. Uma nuvem cobrindo a Lua, ou o Sol, ou somente algo luminoso. Aqui dentro, observava com certa dosagem de alegria a beleza do exterior, sem maiores danos. Eu e a cautela.